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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SEU LUNGA


A PELEJA DE SEU LUNGA PRA NÃO SER IGNORANTE

Pela Milena vez hoje
Me perguntou meu vizinho:
– Por que Seu Lunga, o senhor,
Não dá um simples jeitinho
E não deixa de ser tão
Ignorante e certinho?

Por que o senhor, Seu Lunga,
Não para de ignorar
E ignora essas perguntas
Que lhes fazem sem parar?
Sendo muitas vezes só,
Somente pra lhe irritar.

Seu Lunga, por que o senhor,
Não arranca do seu peito
Toda sua ignorância
E joga ela de jeito
Nas profundezas do mar
E não mais fale a respeito.

Por que o senhor, por quê;
Não reza pra São Francisco,
São José, Santa Luzia...
E pede pra tirar o cisco
Que é sua ignorância
Na forma de um corisco?

E se isso não resolver
Seu Lunga reze pra Deus,
Peça muita paciência
Pra aturar esses abreus
Que não deixa o senhor queito
Feito um bando de ateus.

Seu Lunga disse: – Zé Preto
O senhor nem imagina
O quanto eu venho lutando
Pra me livrar dessa sina,
Dessa sina que carrego
Posta por gente malina.

E quem pensa dessa forma
Nem parece conhecer
A minha grande vontade
De nunca assim responder,
Com qualquer ignorância,
E qualquer um ofender.

Quem me vê assim, Zé Preto,
Nunca me viu remoendo,
Remoendo pra esquecer
Tudo que andam dizendo:
O que eu fiz e nunca fiz,
O que bebo e ando comendo.

Zé Preto, se você visse
O quanto vivo tentando
Minha postura mudar
E esquecer que estão falando
Por todo canto de mim
Não estava perguntando.

Não nego que me deixei
Ser levado por vaidade,
Porém, nunca imaginei
Que isso virasse maldade,
Mexerico e desrespeito
Sem nenhuma piedade.

Zé Preto quando pensei
Que estava de coração
Curado pra não entrar,
Não entrar em discussão
Com ser humano qualquer
Em qualquer situação...

Chegou pela quarta vez
O “mudo” cheio de prosa
Um dia na minha venda
Atrás de coisa melosa
Que comeu outro dia
Na casa de Dona Rosa.

E cheio de empolgação
Ele tentava explicar
Mostrando a forma e tamanho,
A cor, gosto e como usar,
Mas eu pensava: será!
Que ele quer sacanear?

Pois eu não mais me importei
E mostrei uma banana,
Ele disse com o dedo:
Não! E apontou pra cana,
Fui logo botando uma pinga
Daquela bem caninana.

Igual um felino assombrado
Ele pulou para traz
Com cara de pouco amigo
Faltou pouco cuspir gás
Gesticulando sem fala
Que quase não para mais.

E quando o mudo parou
De tanto gesticular
Eu depressa comecei
A tudo, tudo mostrar...
Peça por peça daqui,
Daqui e de outro lugar.

Cada coisa que eu mostrava
Dizia, não com o dedo,
Andava pra lá, pra cá
Com aquele tal segredo
Que eu já não aguentava
Segurar meu lado azedo.

...são 32 estrofes...
Fim

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